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terça-feira, 3 de junho de 2014

Grande escritor?


Desde meados de 2009 que leio Bukowski, mas sempre li muito aleatoriamente, em blogs, ou quando me mandavam algum texto. Até que enfim resolvi comprar um livro. Sentei para ler hoje e não conseguir parar até que o livro terminasse. Porque esse filho da puta é tão bom? Ok, não gosto de rótulos, mas acho que sou mais feminista do que machista, eu não deveria gostar tanto dessa porra. Acho que gosto pela putaria.
Vou ter que confessar que eu gostava mais quando eu era aquela maníaca depressiva, suicida, bêbada e claro, quando eu transava. Agora que estou, vamos dizer que, bem, não me encontro tanto assim nesse tipo de literatura tão boêmia e psicopata. Mas eu não tô aqui para falar de mim, como tem sido ultimamente.
Porque merda você gosta disso? Ou melhor, porque meeerda você idolatra isso?
Sinceramente não acho que você se encontra. O que eu acho, de verdade, é que você sonha se encontrar. Você queria ser esse filho da puta, machista, agressivo, bêbado e claro fodedor. Como ser um grande escritor? GRANDE MERDA! Você queria era foder. Foder muitas e belas mulheres. Mas cara, você não é assim! Você é apaixonado, e muito. Você sofre, e muito. Você é desses que manda flores, e chocolates, e qualquer coisa que agrade.
Daí comigo, e só comigo. ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE COMIGO. A mulher que você poderia foder, e foder, e amar, e aprender milhares de coisas. E que não te faria sofrer.  Você resolveu ser Bukowski. Você vira e fala que não sente tesão em mim? Mas quanta besteira. Quantas mulheres você acha que sentem tesão em você? MERDA. Eu sinto. Muito. Sem explicação.
Preciso te dizer uma coisa. Eu não te odeio. Porque eu sei que tudo que você está tentando demonstrar ser, não é o que você é de verdade. E se for, a gente fode, se for bom, a gente fode mais, se não for, fim.
Não é que eu baseie tudo em sexo, é só que... eu gosto de você. De verdade. Eu queria ser qualquer coisa para você. Mas você não confiaria em mim, você não se abre para mim, você não conversa comigo, resumindo e falando o mais adiante possível, eu sei, eu sinto, que você não namoraria comigo. Então. Porque não sexo. Só para eu experimentar e tirar você da minha cabeça de vez?
O fato é que você é Bukowski e eu sou Tati Bernardi.

Marcela Lopes

JP


O fato é que eu tomei muitos remédios para dormir. Quando nem o primeiro, nem o segundo surtiram efeito sobre a força que tem meu pensamento em você. É que hoje não vieram em minhas utopias, alucinações comuns. Só consigo pensar em você pelado.
Não entrei em seu quarto, quando fui a sua casa, e você não estava lá, nem mesmo para apagar a luz do banheiro. Tive, mesmo, medo de não resistir a cheirar suas coisas, a procurar pistas de algo que nem sei o que. Passei direto, mas olhei. Brevemente, mas pude reparar em cada detalhe da sua bagunça. Sua bota molhada da chuva que nos pegou na noite anterior estava jogada próxima ao seu guarda-roupa aberto, parecia que você tinha fugido. Talvez tenha mesmo.
Agora aqui, deitada no meio dessa escuridão infinita onde só brilha a brasa do paiero, começo a imaginar como seria. A gente subindo a escada se beijando, e ameaçando cair para todos os lados, se segurando nas paredes até chegar à porta. Seria legal se você me carregasse da porta e me jogasse na cama, mas você não teria essa força. A gente se beijaria até chegar ao seu quarto, mas ainda na sala eu já teria tirado a sua blusa, aquela mesma polo azul da outra vez que ficamos. Você tem um peito lindo, que me dá vontade de te abraçar e não soltar nunca.
Você fecha a porta do quarto e fica olhando sem entender eu tirar o colchão da cama e colocar no chão, mas você vai entender. Encosto-te à parede e fico beijando seu pescoço, sua barriga e assim abro sua calça. Duvido que alguém um dia tenha te chupado como eu. Pode ser que eu realmente saiba o que estou fazendo, mas a verdade é que eu estou fazendo isso com paixão e isso muda as coisas. Eu sinto um tesão enorme em você, um tesão que eu não sei de onde vem, mas vem, e acaba comigo.
Não sei se o que você vai achar depois que eu terminar, não sei sua opinião sobre ser dominado, mas eu gosto de estar no comando, eu quero te dar o melhor de mim, o que você merece.
Jogo-te no colchão e tiro meu vestido, é claro que vou te dar o prazer de tirar meu lingerie, foi pra isso que eu comprei, de shortinho, como você disse que gosta.
Sento sobre você e começo a te beijar, seus beijos estão melhores do que nunca, e eles já eram os melhores da minha vida! Você tira meu sutiã, alguma coisa em você indica que você sabe o que está fazendo e eu sinto muita excitação nisso. Você como sempre é silencio. Eu queria ter algo a dizer, mas porque?
Tiro sua calça e sua cueca, e você tem pernas lindas! Eu nunca tinha visto suas pernas. Você é tão branco e lindo! Quero amarrar seus braços ao pé da cama, será que você gostaria disso? Acho que você teria medo. Vou deixar assim como está por mais um tempo.
Você me vira, e fica por cima de mim, de onde surgiu tanta força? Você tira minha calcinha. E, meu Deus! Você realmente sabe o que você está fazendo. Você quer me chupar, mas eu não deixo, eu sou assim. Então você continua com a mão e eu com a minha em você.
Eu pego a camisinha e você entende o recado, eu não aguento mais, preciso de você dentro de mim. Já na primeira bombada eu me contorço. É, eu achei que eu acabaria com você, mas é bem provável que você acabe comigo.

Marcela Lopes

Meu papel de parede do notebook e a capa de Dark Side of The Moon do Pink Ployd. Decidi que hoje vou falar sobre você. Tá certo, você já ouviu demais, está cansado de acusações, definições e jogos. Mas ainda está para nascer o homem que vai me impedir de falar.
Não me lembro ao certo em que circunstâncias nos conhecemos. Lembro que foi em 2010, talvez 2009. Lembro que eu ainda nem sabia que faculdade queria fazer e você já fazia cursinho. Olhando para nós hoje nem parece que você é 4 anos mais velho que eu.
Você era gordinho e lindo. Eu achava e minhas amigas também. Eu já pensava em te querer, mas não podia. Tinha aquele seu amigo lá, que era, pelo menos falava que sim, apaixonado por mim. E tinha aquela minha amiga, que se não era apaixonada, era doida com você.
O tempo passou, e como passou. Nunca mais tive notícias suas. Sabia que você namorava e que ela não te merecia, mas juro não saber quando ou quem me disse isso. Ouvi seu nome umas poucas vezes da boca do meu ex-namorado, vocês eram colegas de escola, uma coisa assim. Me lembro quando você fez sua tatuagem, mas não claramente. Não imaginava como você estaria depois de tanto tempo, nem me lembrava do seu rosto, sua voz, seu jeito, de você.
Então eu terminei. E você também, mas eu não sabia. Terminei e estava sozinha. Sozinha o suficiente para pegar carona com um cara que tenho nojo e ir para Bambuí encontrar uma pessoa que “conheci” pela internet. Quem diria, mas sim. Cheguei lá e essa pessoa não estava. Mas tinha outra, uma que eu já conhecia e já me agradava. Saímos. Uma amiga foi junto. Ficamos e ela disse: -Ele é a cara do Zé Manco. Falei: -PQP, nem sei a cara dele. Passou.
Passaram semanas, eu continuei péssima, mas estamos aqui para falar sobre você. Larguei a faculdade, juntei umas malas e fui fugir da realidade em Bambuí. Combinei com o Will de irmos a uma festa na República Katapulta. Ele então me manda uma foto do Lucas, queria saber o que eu achava da roupa dele. O Will sempre foi muito gay. Olhei a foto e pensei: “Nossa, que gatinho. Lembro que uma vez eu cumprimentei ele na rua achando que era o Matheus (ri sozinha). Vou ficar com ele na festa, porque não?” Puxei papo com ele no facebook, ele claro, achou que eu era louca. Ele claro, gostou.
Cheguei na festa, olhei para ele, olhei para minhas amigas e disse: -Vou pegar o irmão do Manquinho. Até então você era o Manquinho e ele o Irmão do Manquinho. Ele nunca teve nome e isso o mata de raiva. Umas disseram para ficar, outra disse: - Nossa você já viu o Manquinho? Ele tá um gato. Eu disse: - Mas ele casou. Mas se engana quem acha que fiquei com ele. Dei uns selinhos e saí. Não sei porque, não bateu. Ele achou ruim, mas nunca liguei. Então aquela minha amiga de outro dia disse: -Mas seu carma é o Manquinho em? Todo menino que você fica parece com ele. Eu ri, e falei que ela estava ficando doida, nem pensei muito no assunto.
No outro dia, eu chamei o Lucas no facebook e eu mesma peguei o telefone dele. Salvei no meu celular: Mankinho Baby e continua assim até hoje. Ele pegou o meu e começamos a conversar e ficamos. Nem sabia de você. Até aquele dia na casa do Fred... Chamei ele para ir, a Noelle disse: -Vamos! Seu irmão deve estar lá, porque o Pontinho tá. Olhei para ela com uma cara de: que que tem a ver? Ele disse que não. Falei no ouvido da Noelle: -Vai que eu confundo. Ela riu e disse para eu não falar isso para o Lucas. Chegamos lá e você realmente estava. Me lembro bem. De bermuda, blusa da Abercrombie e chinelo. Lindo, não minto. Noelle disse: -Olha ai, te disse que o Matheus era mil vezes mais bonito, cuidado para não confundir em? Rimos. Mandei mensagem no celular do Lucas: “Seu irmão tá aqui mesmo, anem, falei para você vir.” O celular vibrou ~ Mankinho Baby ~: “Cuidado para não confundir, em? RS.” Noelle e eu rimos mais uma vez. De fato rimos muito esse dia. Era gente demais falando para eu não confundir. E eu te olhava. E não conseguia parar de te olhar. E de rir. E eu queria confundir. E eu queria que você também quisesse. E você me olhava que eu vi. E eu com medo de você chegar no Noelle. Ao mesmo tempo pensando que seria bom se vocês ficassem para eu parar de pensar. E eu pensei nisso tudo aquele dia. E eu não tive mais paz.
Eu não conseguia mais parar de pensar em você. A cada segundo eu só pensava em largar do Lucas e ficar com você. Mas e meu bom senso? Eu sabia que você nunca iria ficar comigo se eu largasse. Menos ainda se eu continuasse. E eu já estava ficando louca por outros motivos, só arranjei mais um. E eu queria você de todas as formas. Eu imaginava a gente. Eu sonhava nossas transas. Eu te imaginava pelado. E eu nunca comparei você com seu irmão. Eu só queria ficar perto de você. Poder sentir seu cheiro, mesmo que estivesse de mãos dadas com o Lucas.
E ele sabia. A gente sente essas coisas. Ele sempre soube. E não pense que ele não sabe que a gente ficou, porque ele tem certeza. Eu nunca disse, acho que você também não, mas ele sabe. Ele via como eu te olhava, todo mundo via. Você sabia que eu te queria, e você me queria que eu também sabia. E eu falava para minhas amigas, que eu não estava aguentando. E eu larguei dele. Mas eu estava/estou/sou carente e voltei. Ele disse que eu sou louca. Ele sempre fala essas verdades. Mas quando te vi na festa a fantasia... Me lembro como se fosse hoje. Você, jogando seu charme para cima da Tayenne e eu querendo que fosse para mim. Você estava de calça jeans, aquela sua pólo listrada de azul e verde que eu amo e o tênis da Osklen. Você era o projeto de “Playboy do Alambique” mais gostoso que eu já tinha visto. Eu que queria. Tinha que ser meu. Era pressão demais. E eu sempre tive tudo que eu quis. E seu irmão mesmo diz que eu sou A Marcela Lopes. É claro que você seria meu.
Eu joguei. Você sabe disso. Você sempre disse. Eu joguei sujo com você. Eu menti, eu usei todas as cartas que eu tinha. Eu disse: - Se eu soubesse que você estava solteiro eu nunca tinha ficado com seu irmão. E claro, eu falei a verdade. Quis sumir. Como eu pude ter falado isso? Que tipo de vadia você devia estar pensando que eu era? Você deveria nunca mais ter olhado na minha cara e contado tudo pro seu irmão. MAS NÃO. Você gostou! Eu percebi, eu sabia, eu estava ficando doida, mas nem tanto. Você deu uma risadinha, você ia ficar e conversar mais, mas viu que eu fiquei morrendo de vergonha. Esse talvez tenha sido o momento mais confuso da sua vida. Você saiu. Eu quis nunca mais te ver e evitei você pelo resto da noite. Evitei até mesmo te olhar de longe. Estava com vergonha de mim.
Então você não contou para o seu irmão. Ele quem perguntou, porque ele sabia que eu tinha dito algo. Eu tinha falado pro Will. Eu estava bêbada e confusa. E você sabe que eu não sei guardar as coisas para mim. Então você falou. Fiquei com medo. Você nunca iria ficar comigo mesmo. Falei para ele que você tinha entendido errado, mas não voltei, claro que não. Já não era ele que eu queria. A muito tempo eu já não queria, mas agora era de jeito nenhum. Então teve festa na sua casa. E eu fui, claro que fui, você já me conhece; eu gosto do estrago.

Eu deveria ter terminado esse texto quando comecei... Você sabe, a história é mesmo hilária, mas o tempo passou, hoje nem lembro mais dos fatos, muito menos de você. Ri sozinha ao abrir esse arquivo no computador, em minha cabeça só se passa uma coisa: Marcela você é podre! RS

Marcela Lopes

poema de quando fui poeta em BH


Queria escrever pra você,
porque queria que fosse amor.
Mas se querer poder fosse,
queria não ser cedo demais para amar.

Mesmo querendo demais,
já se foi tarde,
para amar de novo,
recomeçar.

Eu tinha um dom, mas foi-se.
Cansou-se de errar.
Agora espera encolhido,
o amor certo o resgatar.

Há tempos eu não sou poeta,
esse dom fiz esperar.
Mas voltando trago esperança,
de um dia voltar a amar.

Marcela Lopes

REHAB



Estou a meses tentando uma coisa e não consigo; organizar as ideias. Parei para pensar e assim estou desde novembro. Minha cabeça já dói e eu estou cansada demais para reagir. Percebi que não escrevo nada há tanto tempo... Pode ser que isso me ajude nesse momento, já que não tenho ninguém para conversar a não ser eu mesma. Talvez quando chegar ao final desse texto você já esteja tão perdido quanto eu, ou, quem sabe lendo-o, você entenda e assim me ajude.
         Não conseguirei seguir pela ordem cronológica dos fatos. Nem me lembro mais o que veio antes, o que veio depois. Na verdade, não estou muito preocupada com o que virá também não...
Nunca gostei muito de citar nomes nos meus textos, apesar de gostar de me expor. Sério, eu tenho essa mania... Não devia, mas tenho. Já disse tantas vezes as tantas pessoas que: o que eu tenho vergonha de contar, eu simplesmente não faço. Quanta mentira. Faço tantas coisas de que me envergonho, penso tantas coisas que não devia... E conto.
Tem um cara, que fique aqui conhecido por “M”. Acho que é fase, passa. Mas ainda não passou. Ele me disse: Você é “dessas” que contam? Eu respondi que não. Mas ele sabia, ele sempre soube que não daria para esconder. Ele diz que eu sou louca. Talvez eu concorde.
Tem outro cara, vou dizer “L”. Adjacente. Poderia dizer aleatório, mas não. Adjacente se encaixa melhor. É aleatório, mas está perto o suficiente. Ele diz que eu não sei o que eu quero. E eu, eu fico impressionada como as pessoas me conhecem tão fácil... Uma vez eu fiz um texto, falando que eu sou casca. Sou isso que vocês vêem/lêem. Não tenho nada de profundo, oculto dentro de mim. Eu sou isso que aparento ser no momento, eu estou sentindo isso. Por dentro, por fora, é sempre igual. Alguém ainda acredita nisso?
Me aconteceu uma coisa que talvez prove. Eu estava feliz, rindo, divertindo, bebendo, fumando, conversando, talvez nem pensando. Quem me olhasse naquele momento diria: Nossa, a Marcela Lopes (uma coisa que eu não entendo/gosto é isso, eu ser a Marcela Lopes e não simplesmente a Marcela...) é sempre tão feliz! Poucas pessoas já me viram triste, e mesmo que viram, poucas deram atenção. Então estava eu, até me cansar e sentar um pouco. Veio a mim um amigo de longas datas, “R”. Eu nunca fui muito supersticiosa, ele sabe. Sou ateísta desde que penso e nunca fui muito de crendices. Eu sentada, ele olhando para mim de pé com um filtro dos sonhos pendurado no pescoço. Ele, com certa dificuldade o tira do pescoço, arreda meu cabelo e o coloca em mim. Eu parada, olhando para cima, para aquela cena, com os olhos cheios de água (eu já tinha entendido), não cogitei soltar nenhuma palavra. Ele disse: “Eu sei que você não acredita nessas coisas, mas acho que você está precisando.” Fiquei devendo um abraço, agora que parei para pensar.
É tão bonito isso, eu realmente precisava/preciso. Não de um amuleto, mas de amigos. Voltando para a adjacência do “L”, ele disse que eu quero pagar demais de autossuficiente. Eu? Logo eu que sou a pessoa mais carente que conheço. Preciso demais de pessoas, é um defeito gigantesco meu. Como um dominó, esse meu defeito me traz dezenas de outras “pequenas” tristezas. Eu me apego demais, eu dou valor demais, eu quero fazer feliz demais, e eu quero só para mim. Pessoas. A coisa que mais me intriga e atrai nesse mundo. Quero todas, quero entender todas, quero ter todas, quero saber de todas, quero ser de todas, quero ouvir todas e falar com todas também. Não que não me faça bem esses momentos de solidão. Mas pessoas são a minha salvação. Eu vivo para isso e por isso. Eu estou aqui agora porque tive pessoas que me conduziram. Eu chegarei a algum lugar por terei alguém para me alertar antes que eu pegue o caminho errado. Ou não? E se não aparecer ninguém nesse momento? E se aparecer alguém para me levar para o caminho oposto?
Vejo-me em situações ultimamente em que jurei para mim e para certas pessoas nunca me colocar. Me encontro cercada de pessoas tão diferentes de mim e que de certa forma não me acrescentam em nada. Eu tento sair. Tenho uma filosofia que aplico a quase tudo, claro, posso estar errada. Talvez essa minha filosofia seja só uma maneira de amenizar as coisas, disfarçar os erros, fingir, não assumir. O fato é que digo para mim mesma: Só de eu saber o que é certo eu já estou errando menos. Deu para entender? Só de eu tentar sair do problema, tentar resolve-lo, já é um começo. Então o “L” me diz que eu só vou parar de errar (em geral mesmo) quando eu parar de tentar e realmente agir. Dói ele estar certo. Dói eu querer mentir para mim mesma falando que estou acertando por estar tentando, quando realmente vou acertar apenas quando conseguir. Tentar não é conseguir. E será que eu estou realmente tentando?
Tenho uma coisa perigosa demais dentro de mim. Uma vontade que vem arrebatadora, incontrolável. De mudança. De desaparecer e depois reaparecer diferente. Acontece é que já fiz isso demais na minha vida e agora parece que se esgotaram as possibilidades de mudança. Parece que não tem mais jeito para mim a não ser continuar assim. Ou não continuar de forma alguma. Tenho pensado... Quanto mais eu mudo meu jeito de pensar, agir, ser, mais eu me aproximo da catástrofe que é ser quem eu realmente sou. Fiquei quieta, trancada dentro de mim por quase 4 anos até agora reaparecer. Voltou a Marcela Lopes que Bambuí conhecia. E tenho um pouco de vergonha disso... Vergonha de ter rodado tanto e voltado igual. Preciso parar.
Eu sei, parece que me acho quando eu falo: Marcela Lopes. Mas é que é tão diferente... É tão bom ser em BH a Marcela, que Marcela? Não sei. É tão bom conhecer pessoas novas e essas não saberem nada sobre mim também e assim a gente se conhecer mutuamente. Sem pressão entende? Sem o peso, a bagagem do nome. Sem medo também. Sem medo de mostrar quem eu realmente sou. Afinal, a Marcela Lopes tem um nome a zelar. Ela é durona, é decidida, sabe o que quer, é livre, feliz, cercada de “amigos”, de homens, tem o que e quem ela quer, corajosa, não aceita desaforo. A Marcela não, a Marcela é solitária, é triste, muito confusa, medrosa, preguiçosa e sem um pingo de esperança na vida. NÃO. Eu não tenho duas caras, eu não sou falsa com ninguém a não ser comigo mesma. Eu simplesmente não consigo manter a Marcela Lopes na ativa por muito tempo. Assim, ela vai embora. Com/como as pessoas que ela trouxe.  Vou-me eu e fico eu. Marcela. Até o dia que “a outra” resolva não caber mais dentro de mim e exploda. É como se fosse uma droga, entorpecente. Não vejo nada, não sinto nada, não faço nada, só aproveito o momento.
“M” diz que eu tenho que viver mais o momento. Depois diz que não posso esquecer o futuro. Ainda diz para deixar o passado no passado. Talvez ele esteja na mesma situação que eu, confuso. Talvez ele seja o único que tem conseguido ver a Marcela além da casca. E o que é pior que isso: ele talvez seja a casca mais difícil de romper que me apareceu por esses caminhos. Sim, ele já deixou algumas coisas transparecerem contra a luz. Mas tá tudo tão lá dentro dele. Você sabe, já manifestei aqui meu vício em pessoas. Preciso conhecê-lo o mais profundo que eu conseguir antes de deixa-lo ir. Ou melhor, antes de eu ir. Talvez, se dependesse dele, ele já estivesse ido para longe o suficiente. É só... É só que eu me importo com ele mais do que eu deveria. Pela primeira vez, não quero ele só para mim, eu apenas queria ser dele. Queria ver o que ele faria comigo e a que caminhos me levaria. Eu que já fui e voltei tantas vezes, já não me preocupo mais em ficar perdida. Só queria entender suas profundidades como ele, sem perceber, conseguiu entender as minhas.
Parece que me lembro de coisas que nem vivi. Nessa de expor meus defeitos, está ai mais um: sonhar demais e achar que sonho é realidade. Sonho é teoria, realidade é pratica. O triste é que eu sei, eu sei que na “vida real” as coisas fluem diferentes. Mas ao mesmo tempo é triste eu só conseguir me livrar dos sonhos se esses se concretizarem.
Você pode não ter entendido nada que eu disse nesse ultimo parágrafo, mas é que estou com um medo real. Medo do “M” ser o meu novo “F”. Tá tudo tão igual. E demorou tanto parar que passasse. Não deveria voltar. Casos inacabados: os que prendem todo ser humano. Pendencias. Foi assim com o “F” e eu não vou, juro que não vou deixar acontecer de novo. Eu só precisava correr atrás do “M”, puxa-lo pelo braço e dizer: “Vamos por outro caminho?”. Essa é a única forma de eu não continuar o seguindo, de moita em moita, pela estrada que ele escolheu.
Mas vamos parar de falar disso. Vamos falar de coisa boa?

(Pausa para segurar o filtro dos sonhos junto ao peito...)

Vai aparecer uma coisa boa... Tomara que seja a tempo.
Não queria terminar esse falatório todo falando de amor, casos, sei lá. Por que esse não é meu real problema. Eu sei que não é. Mas não me pergunte qual seria esse então... Eu já tentei tanto. Já chorei, conversei, escrevi, li, pesquisei. Eu não estou/sou bem. Nunca fui! Eu aqui, me virando do avesso para você que nem conheço. Achando que no fim você iria dizer umas poucas palavras que me fariam pensar e assim chegar a conclusões, abrir meus olhos e cabeça para realidade. Eu te pagaria a consulta e iria embora. Como se adiantasse. Como se eu já não tivesse tentado. Pensando em colocar um ponto final, vai ser agora.

Marcela Lopes