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domingo, 29 de junho de 2014

BSB

                Me pego a imaginar a gente viajando mundo a fora. É estranho, porque sempre imaginei viver essas minhas aventuras sozinhas...  Você sabe disso. Mas, quais seriam as aventuras que você gostaria de viver? Nunca conversamos a respeito. O fato é que nunca conversamos sobre você. É sempre sobre mim; eu, eu, eu. Você gosta de me ouvir, gosta das horas em que passamos nus; com você abraçado à minha bunda, me ouvindo contar sobre tudo que já fiz e tudo que ainda tenho vontade de fazer. Mas e você?
Imagino o que você estaria fazendo nesse exato momento, como você diverte-se, sobre o que conversa com seus amigos, o que você bebe... Qual sua essência de narguilé preferida, o lugar do mundo inteiro onde você gostaria de estar, qual é seu ídolo, a música da sua vida, a história da sua vida, a mulher da sua vida. Seria eu? Bem que eu poderia ser.
                Não me esqueço de você falando como você me acha interessante e linda, e como você não consegue me olhar sem imaginar loucuras. Pois eu te olho e... Gostaria de imaginar tais loucuras, mas imagino calma. Mas uma calma boa e quente. Um aconchego. Gosto de como você de deixa bem depois do sexo. Gosto de como você me deixa livre, mas não completamente solta. Gosto de ser sua amizade colorida, no meu tempo isso se chamava pau-amigo. Mas, ei, eu não consigo ficar com mais ninguém. Eu só penso em você, é verdade.
                Não queria atrapalhar meus planos, nem os seus (se eu soubesse quais são). Acontece que eu penso demais, sempre fui assim. E você diz que também pensa. Eu não sei se acredito, mas se isso for verdade, acho que você é novo demais para pensar. Quando decidimos arriscar, decidimos não pensar, não sei se você se lembra, e naquele momento eu realmente não pensei. Você pensou? Fico feliz por você dizer que não se arrepende de nada. Eu também não. Você foi “a coisa mais importante que já me aconteceu nesse momento, em toda a minha vida”, e eu não tenho explicação melhor que essa.
                Más línguas dizem que estamos apaixonados, mas é aquela história, enquanto as más línguas falam de mim, as boas percorrem o meu corpo. Eu definitivamente não estou apaixonada, mas eu definitivamente gosto de você. Gosto da situação, gosto do jogo, gosto da loucura, gosto do ontem não/hoje sim/amanhã talvez. Gosto de te dar esse prazer que você não conhecia e que ainda vai conhecer. Gosto do seu ser branquinho e sem nenhuma cicatriz (na pele e na alma), para compensar minhas inúmeras marcas da vida, gosto das suas poucas e bem localizadas gordurinhas, gosto daquelas suas cuecas samba-canção que você nunca usou, gosto do seu boné “abarreta”, de quando você tenta pagar de skatista, gosto de você tocando e cantando: “How long, how long...”, gosto das promessas e apostas (inúmeras apostas), gosto do seu cheiro de sabonete íntimo da Chanel, mas acima de todas as coisas, gosto da sua independência.
                Gostei de você desde a primeira coisa em comum que descobrimos ter (quase tudo), gosto das pessoas acharem que você é demais para mim e vice-versa, porque sabemos o que as pessoas falam. Gosto de você careca, mas estou morrendo de vontade de te conhecer de outra forma (apesar de ter medo de você ficar um gato e todo mundo te querer), gosto de fazer as coisas que você não gosta. Gosto de fazer você fazer coisas que não gosta, mas sei que faz porque gosta de mim, gosto de saber que você gosta de mim, e você gosta, eu sei que sim.

                Então, como já fizemos outras vezes, vamos agir sem pensar, vamos sofrer as consequências... Fica aqui agora, namora comigo, prometo fazer o casamento em Brasília.

Marcela Lopes

terça-feira, 3 de junho de 2014

LEIA - ME

Existem dois problemas em ser mulher de atitude: ou você parece apaixonada ou você parece atirada. Se pensam que você está apaixonada, alguma das duas partes vai sair decepcionada, ou o cara se apaixona e se decepciona ou se afasta e assim te decepciona, mas nem tanto, afinal, você não estava apaixonada. Se pensam que você é atirada, assim, como na primeira hipótese, alguém vai se decepcionar, ou o cara se afasta por medo de não dar conta do recado e te decepciona ou você decepciona ele quando ele descobre que você nem queria ele tanto assim. Há também uma comicidade em ser mulher de atitude: a gente sempre procura caras sem a mesma para se relacionar e depois se pergunta: porque não funcionou? Eu talvez não tenha uma tão vasta experiência assim para dizer, mas só quem me domina é quem me corta, quem me põe no meu devido lugar. A gente vive esperando uma atitude de quem nunca teve e nunca terá atitude.

Marcela Lopes

Que virou sweet...

Eu falo que tem alguém e as pessoas riem. Todo mundo pode gostar de alguém menos eu. Mas a verdade é que eu sempre sinto, talvez não seja o que as pessoas esperem que eu sinta, nem na mesma intensidade. E tá, eu minto, bom, omissão seria a palavra certa. Não sei sentir sozinha. Nesse momento eu estou sentindo. Não é amor, claro. Não é paixão, nem desejo, não é nada que se nomeie. Posso dizer que é um misto de vergonha, frustração e esperança. Poucas vezes ouvi um não tão não, quase ninguém tem essa audácia, mas essa palavra sempre me prendeu. Mas eu não sei sofrer... só sei sorrir, é da minha natureza ser feliz. Então acenei e segui meu caminho. O que me confortou foi saber que nunca gostei de você, gostei do que inventei de você. O porque da esperança? A vida é uma coisa tão mágica e surpreendente que a gente conhece, desconhece e depois acaba conhecendo a mesma pessoa diversas vezes. Quem sabe um dia nós dois pararemos de inventar um do outro e realmente descobrimos que combinamos. Ou não, porque a vida é isso. A vida é uma life!

Marcela Lopes

Você ainda a ama. Eu sei, aham, é. É complicado. Mas você tem que parar de mentir para si mesmo. Você ainda não percebeu que não conseguiu estar com ninguém porque gostaria de estar com ela, mas tá na cara. Porque você evita tanto falar dela e diz que a odeia, mas curte tudo que ela pública. Ela tá feliz, você sabe. Eu sei, sim, você também está feliz, mas vocês dois... já foi. Se isso tudo é ciúmes? Claro que é. Eu realmente queria que fosse por mim, mas não é, então, só podemos ser amigos, e eu só posso tentar te mostrar o que todo mundo vê. Sim, falamos isso na suas costas. É, eles também. Sim, todos. Desculpa.

Marcela Lopes

Bibi


Eu sei que você achava que eu gostava dele, mais que isso, eu sei que você sabia que, no fundo, eu também achava isso. Mas quando eu vi ele foi um "nossa, eu não gosto dele de jeito nenhum". A mesma polo Calvin Klein, a mesma calça Brooksfield e aquele tênis da Osklen que ele tanto queria e eu dei de presente. Engraçado, hoje eu já não consigo mais me lembrar se foi pelo dia dos namorados ou pelo aniversário de namoro. O mesmo cabelo e o mesmo corpo maravilhoso; ok, esse não precisava mudar. E eu, que emagreci e engordei tantas vezes em dois anos. Que mudei de vida, mudei de curso, mudei de cidade. Fiz novos amigos e me encontrei com eles. Tive todos os tipos de cabelo que pude comprar. Me vejo tão diferente daquela menininha imensamente apaixonada que eu era. Eu amei, amei tanto que não cabia em mim. Tinha tanto orgulho daquilo que de alguma forma eu possuía. Sim, eu adorava desfilar por aí com ele, eu adorava ver a reação que ele causava nas mulheres e nos meus amigos gays. Hoje acho isso tão ridículo, como eu pude abandonar todos os meus sonhos e minhas ambições por uma pessoa. Eu não era eu, e não há que não percebesse, e muitos me avisaram, fui cega e surda (muda, nunca consegui). Eu estou tão feliz. Eu posso dizer com todas as letras em caps lock: EU NÃO AMO NINGUÉM (família e amigos, vocês entenderam). Cara, mais do que isso, eu não quero ninguém. Estou completa e totalmente satisfeita com a minha companhia. Raramente me interesso por alguém e é uma coisa tão fraca e passageira, que nem vale a pena. Mas sabe por que? Porque meus sonhos estão de volta, e eu nunca mais na minha vida quero alguém para dizer que eles são bobagens, que eles nunca darão certo, e mais, não quero que meu espírito sonhador e aventureiro adormeça de novo. Talvez um dia, eu encotre alguém que partilhe das mesmas ambições e que queira viver as mesmas aventuras. Mas até lá, planejo realizá-las antes de me prender a alguém.

Marcela Lopes