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sábado, 31 de outubro de 2015

"Cê não sabe o que é sonhar pequeno não,  meu sonho é muito menor que isso."

Guilherme Moura Soares, vulgo Dipsy.

Quando eu era adolescente, vulgo criança que achava que era adulta. Sofria porque as pessoas inventavam coisas em meu nome. Sei lá, às vezes inventavam que eu disse algo, outras inventavam que fiz/fazia coisas. Passei, a partir daí a não esconder nada. Coisa cliché de dizer, mas minha vida é um livro aberto, basta saber ler.
Agora, quando jurava ser improvável, beirando à impossibilidade. Passo pela mesma coisa. Ninguém acredita quando digo que algo que dizem sobre mim é mentira. Justo pelo fato de eu sempre confirmar, quando é verdade, tudo que me perguntam/acusam. Não sei porque ainda insistem em inventar. Não tenho nada à esconder,  não é envergonho de nada que fiz ou faço e, muito provavelmente, não me envergonharei do que virei à fazer.

Marcela Lopes

Dunada

Pessoas surgem do nada. E se eu quiser todos vocês. E eu seu ficar com todos vocês, e se eu transar e fizer sofrer o coração apaixonado de cada um de vocês. Ainda sim. Aparecerá alguém do nada, e dirá: quero me casar com você,  e se você me deixar, terei filhos com você, e formaremos família. Eu posso dizer que serei feliz com ele. Mas quem sabe não deixarei este de lado, como mais um outro. E continuarei minha vida, porque na minha vida, pessoas surgem do nada.

Marcela Lopes

Sobre minha saudade do seu cheiro de couro

Vou falar, só uma vez, para nunca mais. Fica comigo? Não vai não. Fica aqui. Mora aqui. Te sustento, te alimento, lavo suas roupas, te empresto minhas toalhas. Não vai não.  Fica para mim. Me dê esse presente. Você,  embrulhado nos lençóis,  ou com qualquer roupa que cheire couro. Mas é só essa vez, que eu digo que te quero. Depois vou continuar querendo, mas não vou dizer. Não vou dizer que penso em você dormindo, e como seu cabelo fica bem melhor bagunçado, do que quando você faz aquele topetinho tosco que esconde sua maturidade. Você nunca mais vai saber os dias que sonhei com você, e como foi horrível acordar. Você vai querer que tivesse ficado. Porque aqui tem amor, tem Coca-Cola, Netflix e tarja preta. Aqui tem todo dia, e não quando der. Aqui tem... mas você sabe.  Então só vou falar essa vez, fica comigo? Agora! Ou eu não fico mais.

Marcela Lopes

Queria ser pedra, mas nasci flor

O dia todo, cada segundo em que ninguém está olhando. Clico no seu rostinho.  Sua foto de criança loirinha e linda. E ensaio mil coisas que diria. Diria volta, diria vem, diria fica. Mas o medo do meu dizer ser em vão é tão maior que a coragem de fazê-lo, que fecho correndo, com medo que me notem, com medo que eu me note. Eu não quero ver isso. Você pode ver? O tamanho da loucura, o porque do medo, o porque do "não quero nada sério agora"?
Não sei ser pouco, não sei gostar sem morrer, não sei escrever sem me expor, me virar do avesso para que vejam que, sim. Olhem, tá aqui, o meu coração. Para, não olha tanto assim, olha mais discretamente. Ele não costuma ser visto, ele é tímido. Mas existe.
Não faz cara de dó, nem se safado, nem de ironia, muito menos de deboche.  Olha com ele com cara de pessoa. Com a sua cara! Que ele sempre gostou de ver, no breve intervalo de tempo entre você tirar meu sutiã e mergulhar em meus peitos. Aquela cara de pessoa, meio sem saber, se apaixonada ou com vontade.
Era vontade, até virar paixão. Mas isso quem disse foi meu coração, que insiste em dizer também que para você sempre foi paixão.

Marcela Lopes